O NEGOCIANTE DE ESPERANÇAS

Hamilton Bueno (*)

 Líder é aquele que faz com que
pessoas comuns façam coisas incomuns. 

Vivemos uma Era de Descontinuidade,

Onde é incerto o pão de cada dia. 

Peter F. Drucker

Exercer a liderança com arte e eficácia foi certamente um  desafio para Gandhi, Napoleão, Kennedy ou mesmo Hitler. Há algumas afirmações que nos ajudam a compreender a natureza do papel, a complexidade e os desafios de exercê-lo em sua plenitude. Todo líder:

  •     convence e inspira,

  •     dá o norte ou ajuda a encontrar,

  •     faz o grupo funcionar,

  •     desenvolve consciências,

  •     forma novos líderes,

  •     sabe onde está, onde quer chegar, e o que fazer para chegar lá.


Mas, queria falar de algo que vai à sombra, à margem, que habita o cinza e é pouco lembrado pelos mestres do
management. 

Quero falar do processo de legitimação do líder. Ou seja, do processo de conquista, de admiração, de exemplo e de referência a que todo líder está submetido. 

Antes de tudo, é importante lembrar que líderes não são seres puros, bravos, altruístas e cheios  de virtudes como consta do dicionário do herói. Líder é um ser humano que também coleciona erros, imprecisões, limites e outras tantas deficiências. Problemas de competência são aceitos pelos grupos, de caráter, jamais.  

Então, o que diferencia um líder de um ser humano comum? A resposta é simples: líder é um agente de expressão das necessidades motivacionais do grupo. A resposta, caro amigo e amiga, é mais simples ainda: EMPATIA. Não é líder aquele que arrota fórmulas prontas, pois ele as constrói com o grupo. Não é  aquele que está sempre à frente, mas junto. E, fundamentalmente, é aquele que ajuda o grupo a acreditar que aquilo que se está fazendo é tão importante, que vale a pena lutar até o fim.  

Líder, caro amigo e cara amiga é, por fim, um negociante de esperanças. Sempre digo que o pecado de FHC não está na economia e nos desacertos do Banco Central. Está na ausência de um projeto. E eu lhe pergunto: qual é o seu projeto? Qual é o projeto de sua equipe de trabalho? Responda sem pestanejar: quando seus associados falam deste projeto, os olhos deles brilham? Pois é, companheira e companheiro dessas rápidas reflexões: quando os olhos não brilham, não há solução à vista. Sua liderança corre perigo!

Então, qual é a receita? Humildade, amiga e amigo, humildade! Olhe para dentro de seu coração e certifique-se de que liderança tem seus espinhos, mas é uma flor tão bela que faz despertar consciências e aflorar novas lideranças. Ou seja, um líder é feitor de novos líderes! Se você deseja continuar nessa balada, comece a afinar seu instrumental: seu ouvido, suas perguntas e seu interesse genuíno em compreender o outro e fazê-lo crescer.

(*) Hamilton Bueno é palestrante e expert em liderança, motivação, vendas e negociação. Seus livros já venderam mais de 45 mil exemplares e ele já treinou mais de 22.600 profissionais. Contato com autor: 14-3842-3077 ou hamilton@hamiltonbueno.com.br