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XEQUE-MATE NA GERÊNCIA:
MUDAR OU MORRER.
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PREMISSAS DE SOBREVIVÊNCIA DO LÍDER
NA VIRADA DO MILÊNIO
Hamilton Bueno (*)
O
que aconteceu à gerência não pode ser chamado de mudança. Seria mais
preciso identificar esse processo alucinante de metamorfose.
A esclerose gerencial vem favorecendo os esforços das empresas no
sentido de reduzir os times de comando, via downsizing ou
reengenharia. Mas há, ainda, tempo para acordar. Viva! Para sair de
um estado de sonolência gerencial que perpetua a escassez de
produtividade, elencamos algumas reflexões congruentes com o novo
papel. Xeque-mate na gerência! Mudar ou morrer!
1.
Mantenha uma auto-estima elevada: auto-eficiência e auto-respeito.
Assim, você estará melhor preparado para dar significado ao seu
time. Um time de alta performance sabe para onde vai e qual é a
ética do trabalho.
2.
O
líder do novo milênio faz o oposto do “líder” atual, que é obcecado
por controle (no sentido de fiscalização); assim, promova a
auto-responsabilidade. Dose liberdade, autonomia e poder com
responsabilidade pessoal. Incentive a iniciativa, a busca de
alternativas para as velhas soluções ou respostas viciadas e a
abertura ao novo.
3.
Todo líder expressa-se de uma maneira afirmativa e vibrante. Faça da
sua habilidade de comunicação um instrumento de poder. Seja claro
naquilo que diz, confira sempre o entendimento. Esteja disponível e
cheque pontos chaves.
4.
Entre a ameaça do chicote e o estímulo à iniciativa, prefira o
segundo. Faça seu pessoal perceber que é seguro errar. O erro é
aceitável quando quem cometeu teve a intenção genuína de acertar.
Assim, o erro passa a profilático (rearranjar o processo) e
pedagógico (fonte de aprendizado).
5.
Seja aberto às discordâncias. Prenda-se sempre aos fatos e nunca às
posições pessoais. Focalize o cenário, os interrelacionamentos e as
conseqüências de determinadas escolhas. Assim, seu pessoal se
sentirá seguro e estimulado a ser espontâneo e enfrentá-lo
abertamente nas divergências.
6.
Trabalhar com times significa obter resultados por interatividade.
Assim, estimule comportamentos gregários e esclareça os
comportamentos inaceitáveis. Lembre-se sempre de falar dos
comportamentos, nunca das pessoas.
7.
Tenha clara a orientação para a ação. Transforme ou incentive a
transformação de ameaças em oportunidades. Reprima o devaneio, o
“andar-de-lado” e o escapismo.
8.
Seja coerente com seus sentimentos e expresse-os honestamente. Se
estiver enfurecido, mostre-se enfurecido; se sentir ofendido,
mostre-se ofendido. Não é necessário fazer um “carnaval”, apenas ser
o que você é. Estimule, pelo exemplo, seu time a se comportar assim.
Agindo dessa forma, alguns se referirão a você com uma expressão da
moda “ele é transparente”.
9.
Quando alguém apresenta alta performance na realização de um projeto
ou de um trabalho, convide-o a explorar as circunstâncias e as
premissas deste sucesso. Sempre que possível, compartilhe com sua
equipe, fazendo com que o depoimento pessoal do profissional
impressione os colegas e estabeleça novos patamares de desempenho.
10.Quando alguém apresenta um desempenho inadequado, explore,
individualmente com ele o que causou o erro e se certifique de que
vocês dois encontraram alternativas para evitar a repetição.
11.Ofereça padrões de desempenho claros e realísticos ao seu
pessoal, oferecendo recursos compatíveis ou o acesso a eles.
Desafie-os constantemente a superá-los.
12.Elogie em público e corrija em particular.
13.O feedback deve sempre ser baseado nos fatos. No elogio ou na
correção do desempenho, não exagere. Atenha-se aos fatos.
14.Vivencie plenamente seus contatos com seus interlocutores. Dê a
eles a certeza de que foram ouvidos e considerados. Crie um momento
único.Quando estiver lá, esteja lá (corpo e alma presentes).
15.Torne seu interlocutor visível. Através da qualidade
empática, mostre a ele que você entende o que está sentindo e que
percebe como ele vê a situação (qual é o ponto de vista dele).
16.Seja igual. Não adote a arrogância, nem o sarcasmo, nem a apatia,
nem o menosprezo.
17.Direcione-se para a pauta objetiva de trabalho, evitando o
conflito de personalidades, o estrelismo e a procrastinação
(delongar, “empurrar com a barriga”). Saiba que o bom resultado é
conseqüência de um bom processo.
18.Se cometer algum erro, reconheça-o enfaticamente, sem evasivas ou
justificativas vazias. Apenas admita. Peça desculpas e diga como irá
repará-lo. Utilize-o também como fonte de aprendizado.
19.“Somos o líder que nosso pessoal diz que somos”. Assim, peça
constante feedback ao seu pessoal. Afine seus instrumentos de gestão
e aprimore suas habilidades de relacionamento.
20.Devolva o problema ao responsável. Se a postura é inadequada,
peça para a pessoa buscar uma alternativa que ponha fim àquele
comportamento. Se o desempenho é inaceitável, peça para o
profissional prospectar novos caminhos. Acompanhe e facilite.
21.Dê o tom para sua equipe:
·
“nossos
esforços direcionam-se para a busca de soluções que agreguem valor.”
·
“Não se buscam culpados. Se o erro se apresenta, nós
o analisamos para eliminá-lo em eventos futuros.”
22.O bom líder não é aquele que “brilha com soluções
mirabolantes”. Bom líder é aquele que cria as condições necessárias
para que sua equipe encontre soluções criativas e factíveis.
23.Todo líder é, em essência, um líder coach, um treinador. Assim,
contenha seus ímpetos de apontar, com toda a arrogância do dono da
verdade, as soluções; ao contrário, seja um bom fazedor de
perguntas.
24.Crie uma cultura que privilegie uma auto-estima elevada em sua
equipe. Todos devem desenvolver sua eficiência pessoal (capacidade
de pensar por si próprios e enfrentar competentemente os desafios
básicos da vida) e de auto-respeito (respeitarem-se a si mesmos e
sentirem-se merecedores da felicidade, do sucesso e do crescimento).
Obviamente, quem se respeita, trata os demais com absoluta
consideração e deferência.
25.Torne-se um lutador astuto. Mostre suas garras à cultura
paternalista, manipulativa e feudal comum à maioria das
organizações. Faça com que seu time se desenvolva pela via do
profissionalismo e tente influir para que toda a organização assim
proceda.
26.Evite a super e a sub-gerência. De um jeito ou de outro, o
desenvolvimento de seu pessoal é abortado, reprimido ou desvirtuado.
Cultivar talentos é seu maior desafio.
27.Mudança é um valor organizacional, entretanto, proteja seu grupo
dos modismos. Mudança só se absorve se congruente com as crenças
preferenciais que norteiam as condutas da empresa. Assim, estimule
seu pessoal a inovar, a empreender, a transgredir o convencional.
28.Incentive seu pessoal a planejar. Tenha claro as inúmeras
dificuldades que enfrentarão, visto que a cultura tupiniquim é
avessa a planejamento. Na lição primorosa de Peter Ferdinand
Drucker: “Planejamento é o processo contínuo de, sistematicamente e
com o maior conhecimento possível do futuro contido, tomar decisões
atuais que envolvam riscos, organizar sistematicamente as atividades
necessárias à execução dessas decisões; e, através de uma
retro-alimentação organizada, medir o resultado dessas decisões, em
confronto com as expectativas alimentadas.” Eu acrescentaria
“concentrando-se no essencial”.
29.“O que falta para que você esteja no controle de seu trabalho?”
Pergunte isso continuamente a todos os membros de sua equipe e
providencie para que eles sintam-se donos de suas metas e
objetivos.
30.Desafie sempre seu pessoal. Faça-os buscar mais eficiência.
Estimule-os a ser mais exigentes com suas metas de desempenho. Não
caia na armadilha da benevolência com os preguiçosos e sanguessugas
que adoram o remanso, o marasmo e a mediocridade. Assim, exija mais
de seu pessoal: designe tarefas e projetos que estejam um pouco além
da capacidade conhecida de cada um.
31.Respeite o eremita talentoso. Muitas vezes ele é um fracasso em
interatividade, mas é soberbo nas soluções inusitadas, brilhantes e
inebriantes aos olhos do cliente. Respeite as individualidades, mas
esforce-se para integrá-lo gradual e serenamente (não force . . .).
32.Quem tem entusiasmo tem Deus dentro de si, afirma a cultura
grega. Assim, contagie seu pessoal com seu otimismo, perseverança e
coesão. Faça os perceber o poder transformador que cada um de nós
possui.
33.Seja generoso ao reconhecer a contribuição de seu pessoal com
inovações, contribuições importantes ou na diligência especial com
clientes e demais parceiros organizacionais.
34.Baseie-se sempre no mérito, na performance; nunca no tempo de
casa ou nos esforços dos aduladores, dos bajuladores de plantão.
35.Fortaleça os pontos fortes de seus subordinados. Os pontos fracos
tenderão a ser eliminados ou não se farão sentir.
36.Diagnostique
com profundidade e acuidade o que motiva seu pessoal. Eles se
interessam por dinheiro, elogios, reconhecimento público, possibilidade
de crescimento, pela tarefa em si? Dinheiro às vezes ajuda, mas,
normalmente, não resolve o problema. Se fosse assim, o pessoal
da GM seria mais produtivo que o da Toyota. Uma dica: o pessoal
da Toyota se sente mais considerado, mais respeitado,
mais integrado. Não há dinheiro que pague esse sentimento. Enfim,
descubra o que mobiliza o seu pessoal e ofereça fatores de satisfação
específicos e seus profissionais apresentarão um irradiante brilho
nos olhos. Comece fazendo-os sentir-se necessários, úteis
e importantes para o destino da organização.
37.Mantenha o bom humor, seja positivo e inspirador.
38.Lembre-se da palavra-chave: facilitador. É isto que você deve
fazer. Dar significado ao seu time e favorecer (recursos, clima,
etc) para que os sonhos se efetivem.
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