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TERCEIRIZAÇÃO FUNCIONA
QUANDO SOMA EXCELÊNCIAS
Hamilton
Bueno (*)
A
terceirização é uma forma de contratação que agrega a atividade-fim
de uma empresa à atividade-meio de outra. Deve, assim, cumprir os
requisitos da parceria e da excelência.
O
fornecedor de produtos ou serviços, especialista em determinado
ramo, é o terceiro, e a empresa tomadora dos serviços é quem
contrata o especialista para fazer melhor e com mais produtividade
aquilo que fazia. Busca-se assim, o efeito sinérgico: 2 + 2 > 4.
A
terceirização no Brasil correu por caminhos “out of law”,
gerando as mais diversas complicações para os tomadores. Na ânsia de
reduzir custos, contratavam pelo menor preço. A cadeia se concluía:
o terceiro, para ter lucro, sangrava os salários, cortava horas
extras, não recolhia os encargos sociais e trabalhistas, degradando
a qualidade da prestação do serviço, potencializando o passivo
trabalhista, gerando complicações ao processo produtivo da empresa
tomadora, além de desgastes para todos os gostos.
Após tropeços, a terceirização começa a mostrar a que veio: somar
excelências. Se faço bem turbinas de avião ou refrigerantes, por que
devo entender de vigilância, do teor protéico dos alimentos servidos
aos meus funcionários, do processo seletivo que utiliza técnicas
psicodramáticas? Cada um no seu galho! A visão deve ser generalista,
a atuação, sim, deve ser especialista. E, assim, reencontramos a
terceirização, onde primeiro vem a qualidade e com ela a satisfação
do cliente. A redução de custo é conseqüência.
Com o Enunciado 331 do TST, de 4.1.94, a justiça brasileira começa a
ver com mais receptividade este processo, “desde que inexistente
a pessoalidade e a subordinação direta.” Nosso conselho,
entretanto, é de que cada organização tenha competente assessoria
jurídica para avaliar os riscos da responsabilidade solidária. Um
contrato adequadamente formulado e especificado junto ao terceiro,
também, é fundamental.
A
seguir, um guia básico para sua empresa valer-se da tecnologia e da
competência de terceiros:
1.
A
terceirização deve recair sobre as atividades-meio. As atividades
estratégicas devem ser analisadas restritivamente. Se for o caso de
terceirizá-las, a probidade, a competência e a parceria são de
extrema relevância.
2.
Nunca contrate seus funcionários como terceiros. Você certamente
lhes pagará polpudas indenizações pelo reconhecimento da
continuidade do vínculo empregatício.
3.
Contrate uma empresa idônea, atuante no mercado há algum tempo.
Analise seus últimos balanços. Visite três clientes, pelo menos, e
certifique-se dos problemas e da forma como os conflitos são
tratados. Pergunte sobre a seriedade, qualidade, cumprimento dos
prazos, imagem, forma de tratamento dos próprios empregados etc. Se
ouvir só elogios, desconfie.
4.
Tenha claro o objeto da contratação e as características do trabalho
a ser executado ou do produto a ser adquirido. Não seja displicente,
ao contrário, seja rigoroso nos detalhes (daquilo que for
essencial).
5.
Eleja indicadores de desempenho do tomador e os coloque no contrato.
Estabeleça multas e situações de rompimento do contrato nos casos de
não-cumprimento.
6.
Tenha uma relação afável com o terceiro, mas seja duro com as
não-conformidades. Não aceite desculpas.
7.
Interesse-se genuinamente pelo terceiro, visite suas instalações,
conheça seus empregados, seus maquinários, computadores, etc. e veja
como ajudá-lo a se desenvolver. Faça isso regularmente e
principalmente, antes de contratá-lo.
8.
Aculture seu novo fornecedor: mostre-lhe claramente, sem pressa e em
detalhes, os traços culturais de sua empresa: valores, crenças,
normas, costumes, estilos etc.
9.
Dê
feedbacks regulares a seus terceiros. Diga-lhes o que não vai
bem. Mas, também, não economize elogios.
10.Mais importante: busque uma relação de parceria. Um parceiro
cumpre três requisitos básicos: objetivo comum, confiança e
complementaridade. O objetivo comum é a qualidade e a produtividade
do serviço ou produto. É a satisfação de quem oferece e de quem
recebe. A confiança se contrói, passo-a-passo, pela postura íntegra,
profissional, criteriosa e madura. A complementaridade se dá pelo
conhecimento, experiência e tecnologia que o terceiro oferece ao
tomador dos serviços ou do produto.
Se você gastar com o terceiro até 10% mais do que faria com sua
própria gente, tenha certeza: você está economizando dinheiro, saúde
e ainda sobra tempo para delinear, com sucesso, novas estratégias
empresariais com vistas à satisfação dos seus atuais clientes e dos
novos também.
Pode-se, assim, concentrar-se na atividade-fim da empresa,
valendo-se do talento para transformar ameaças em oportunidades e
prospectar novos nichos de mercado para a organização.
(*)
Hamilton Bueno é palestrante e expert em liderança,
motivação, vendas e negociação. Seus livros já venderam mais de 45
mil exemplares e ele já treinou mais de 22.600 profissionais.
Contato com autor: 14-3842-3077 ou
hamilton@hamiltonbueno.com.br
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