30 PASSOS PARA VOCÊ SE TORNAR
UM PÉSSIMO LÍDER

Texto adaptado por Hamilton Bueno (*)

Se fizermos a inversão dos preceitos normativos da moderna teoria gerencial, poderíamos definir novas normas sobre o comportamento indesejável a um executivo eficaz. Nesse sentido, apresentamos abaixo, como simples exercício acadêmico, o resultado dessa inversão, ou seja, um conjunto de regras e princípios, que regularmente seguidos, garantem a ineficiência e a paralisia das organizações. A lista é pequena perto das inúmeras possibilidades oferecidas pela teoria administrativa. No entanto, julgamos ser esses 30 passos de ação mais significantes e comuns à prática gerencial brasileira.

Vale ressaltar, ainda, que a inversão de preceitos teóricos, na maioria das vezes possibilita o retrato de situações reais, ainda que descritos de forma normativa. Assim muitos dirigentes podem utilizar a lista abaixo, para uma auto-análise de seu comportamento gerencial. 

1.      Planeje seu programa e suas atividades, levando em conta os ganhos pessoais em poder, renda e prestígio a curto prazo. 

2.      Aceite suas boas intenções e a lealdade de seus subordinados como desculpas para incompetência. 

3.      Exija um alto padrão  de desempenho de seus subordinados sem exigi-lo de si próprio. 

4.      Avalie seus subordinados mais pelos traços de personalidade, potencialidade, desenvolvimento futuro e amizade do que pelo seu desempenho real. 

5.      Evite ao máximo as decisões do futuro e de risco: lembre-se de que se prudência não é virtude nada mais o é. 

6.      Adie as decisões, principalmente as mais penosas e difíceis sempre pelo maior tempo possível. 

7.      Tenha sempre subordinados que estejam prontos a concordar com a sua decisão. 

8.      Aceite, apóie e incentive o inovador, enquanto toma providências para substituí-lo ou bloquear a sua ação, reforçando a manutenção do status quo. 

9.      Pratique a descentralização - centralizada desconfiando e retirando a autonomia de seus subordinados. 

10. Controle as pequenas coisas e pequenos processos internos e espere os grandes resultados. 

11. Tenha sempre em mente que administrar é criar a ordem e uniformidade interna evitando a tolerância de ambigüidades e reprimindo conflitos ou fingindo a sua não existência. 

12. Dedique igual atenção a todos os seus objetivos e programas, dividindo os recursos organizacionais de forma igualitária entre programas e pessoas, não estabelecendo prioridades nem concentrando recursos. 

13. Defina responsabilidades de forma ambígua e imprecisa de modo a que todos mandem em tudo e ninguém cuida de nada. 

14. Torne-se como chefe um indivíduo indispensável, envolvendo-se em pequenas rotinas, centralizando decisões para dizer com orgulho: “quando eu falto tudo para”. 

15. Estruture sua organização de tal forma que atividades meio e atividades fim, bem como planejamento e execução,estejam bem separados. 

16. Não defina objetivos nem programas de ação:  eles aumentam o risco e a incerteza quanto à possibilidades de centralizá-los: afinal de contas, se você não sabe onde vai, qualquer caminho o levará lá. 

17. Permaneça todo o tempo possível dentro de sua organização: tudo o que você e sua empresa necessitam está lá dentro. 

18. Faça bem sua tarefa sem se preocupar com o objetivo dela: as coisas bem feitas têm valor em si mesmas e levam a bons resultados. 

19. Retenhas no seu nível hierárquico todas as informações que vem de cima jamais as passe aos seus subordinados. 

20. Acerte sempre. O erro destrói a moral do chefe, portanto, não corra risco. Antes de tomar qualquer decisão, por menor que seja, examine com calma, cuidado, zelo e tempo todos os detalhes do problema. Consulte todos os seus subordinados. Compare com decisões semelhantes, já  tomadas por outros chefes e por outras empresas. Promova reuniões com os assessores. Oucá a opinião de alguns superiores. Relaxe, descanse. Espere que você tenha o momento de tranqüilidade e segurança psicológica para optar e, mesmo assim, aguarde algum tempo. Pode ser que os problemas se resolvam por si próprios. 

21. Interfira o mínimo na ambiência externa: não procure oportunidades e espere apenas o crescimento de sua empresa proporcionado por ocorrências externas favoráveis. 

22. mantenha-se ocupado, oriente-se para o próprio esforço e não para a obtenção de resultados através dos outros. 

23. Equipare a competência à incompetência, não avaliando regularmente o desempenho de seus subordinados. 

24. Estableça o seu plano de ação, como uma variação do passado, enfatizando o conhecido, o experimentado e o já desenvolvido pela empresa. 

25. Despreocupe-se com otimização de tempo e custo, deixando-se ao sabor da circunstâncias. 

26. Controle a sua organização através das atividades de apoio logístico estabelecendo regras rígidas de pessoal, finanças e material. 

27. Retire a autoridade que compete aos responsáveis pela execução das tarefas. 

28. Elabore muitos planos a curto prazo sem definir uma direção futura e um planejamento a longo prazo. 

29. Reprima as tentativas de prever, antever e especular sobre o futuro; presuma que o futuro será igual ao presente. 

30. Seja impaciente. Exija grandes resultados e perfeição da noite para o dia. Não admita falhas. Lute com todas as suas energias para erradicar os pequenos erros de seus subordinados. Acabe, portanto, coma paciência e boa vontade deles e com a sua. Assim, um outro chefe estará em seu lugar, amanhã.

(*) Hamilton Bueno é palestrante e expert em liderança, motivação, vendas e negociação. Seus livros já venderam mais de 45 mil exemplares e ele já treinou mais de 22.600 profissionais. Contato com autor: 14-3842-3077 ou hamilton@hamiltonbueno.com.br