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TIP – TEMPO, INFORMAÇÃO E PODER
ESTRATÉGIAS E TÁTICAS A SERVIÇO DA
EFICÁCIA DA NEGOCIAÇÃO
Hamilton Bueno (*)
Nos
meus seminários, um dos tópicos de maior interesse é este: táticas
e estratégias. Para o executivo brasileiro médio, negociação é
sinônimo de estratagemas, de jogos de espertezas, através da utilização
das chamadas táticas sujas. Ledo engano. Minha experiência mostra
que executivos bem sucedidos são aqueles que se utilizam de abordagens
ganha-ganha. Estas sim, asseguram credibilidade, eficácia e efetividade.
Estratégias e táticas são meios alternativos para alcançar os
objetivos desejados, tendo em vista as condições peculiares da
negociação e do negociador.
Estratégias e táticas não são receitas ou macetes. De fato, o uso
inoportuno pode minar a confiança, requisito indispensável à
negociação. Há sempre um risco no seu uso que deve ser avaliado em
função dos resultados e das condições em que se dá o processo.
As
Estratégias e táticas podem ser usadas ativa ou reativamente. Não se
deve esquecer que os valores do negociador estão sempre envolvidos
no processo. Uma medida que lhe parece ética, pode não ser para o
outro e vice-versa. Vamos aos elementos de negociação eficaz TIP:
TEMPO
As
táticas relativas ao Tempo referem-se à oportunidade ou ao momento
psicológico em que se colocam premissas ou alternativas, na
perspectiva do outro negociador; dizem respeito também ao grau de
pressão temporal exercido para decisão do outro negociador. Eis
alguns exemplos:
1.
Estender o tempo (Vencer pelo cansaço...Ter paciência...)
2.
Precipitar o desfecho (Ë agora ou nunca... É pegar ou
largar...)
3.
Adiar (Vamos aguardar uma melhor oportunidade...)
4.
Fixar limites (Vamos manter a reserva até... Vamos manter o
desconto até ...)
5.
Usar o elemento surpresa (Aceito sua condição...)
INFORMAÇÃO
As
táticas relativas à informação admitem a possibilidade de que seu
interlocutor não conceba, não saiba ou não perceba as coisas do
mesmo modo que você.
Eis
alguns exemplos de táticas usuais relativas à utilização das
informações:
1.
Simulação de cenários ( Que aconteceria se...)
2.
Mudança de perspectiva (Coloque-se no meu lugar...)
3.
Comparação de alternativas (A opção “A” tem as seguintes
vantagens...)
4.
Dissimulação (Não vem ao caso dar ênfase a esse aspecto...)
5.
Confusão (Colocar todos os dados possíveis sem obediência a
critérios ou prioridades)
6.
Fornecer informações parciais ou tendenciosas (só os aspectos
positivos ou só os negativos)
7.
Usar informações privilegiadas (Soube por tal fonte que...
Sob o ponto de vista técnico...)
PODER
A
negociação envolve sempre a mudança de condições atuais para
condições desejáveis para os negociadores. Para que alguém mude é
necessário que sofra uma influência que seja maior que sua
capacidade de resistir. Poder é a capacidade de provocar mudanças ou
impedir que elas ocorram, de acordo com a própria determinação. Eis
alguns exemplos de táticas relativas ao jogo do poder.
1.
Autoridade total (o que eu resolver será o resolvido...)
2.
Autoridade condicional ou limitada (meu limite de alçada
é...)
3.
Eximir-se de autoridade (Só posso decidir com o aval de...)
4.
Exigência (pressão chinesa) Se você melhorar tal aspecto...
5.
Confronto de opção (leilão) (Discutam entre vocês... eu
aceitaria a melhor proposta...)
6.
Conjugação de forças (Aliar-se a alguém... mudar a equipe ou
parte dos negociadores)
7.
Pechincha/ barganha (Se você rever..., se você reconsiderar,
se você der ..., eu...)
8.
Alteração das regras do jogo (O preço pode ser mudado... As
especificações serão...)
Uma série de exemplos para ajudá-la a entender e a praticar,
já na sua próxima negociação
A
seguir, e de forma detalhada, apresentamos as táticas colhidas ao
longo de nossa experiência, identificando se relativas a Tempo
(T), Informação (I) ou Poder (P). Em casos de dúvida
na Classificação, optamos por mencionar o que mais se aproximasse.
Nossa preocupação é mais de aplicação prática do princípio, do que
acadêmica.
1.
Negociação não deve ser uma batalha: sempre há uma
alternativa que possa beneficiar ambas as partes, embora ela não
pareça existir à primeira vista (P)
2.
Prepare seu planejamento por escrito, nunca decida nada que
não tenha sido objeto de planejamento anterior (I).
3.
Comece sempre ouvindo sem opor resistência, analise e fale
depois; você obterá muito mais informações sobre a outra parte (I)
4.
Não se assuste com a agressividade inicial, a tranqüilidade
desarma qualquer agressão. É só esperar. Mantenha uma postura
racional durante a negociação (P)
5.
Se ocorrer um grande obstáculo, evite enfatizar seus
problemas, procure ajudar o outro com os dele; isto certamente
aumentará a confiança dele em você (P)
6.
Não queira ter todas as idéias, deixe algumas para seu
oponente. Seja sutil, deixe que suas idéias apareçam como se fossem
dele (P)
7.
Lembre-se de que o outro pode não estar buscando
necessariamente dinheiro, mas outro tipo de necessidade: satisfação,
atenção, status, segurança etc. (P)
8.
Quando ficar sem ação, diante de um problema aparentemente
sem solução, pergunte à outra parte: “O que você faria em meu
lugar”? O outro passará a trabalhar para você (I)
9.
Preços por escrito possuem mais força de convencimento que
valores expostos verbalmente; leve sempre uma tabela impressa, um
texto datilografado etc. (I)
10.
Transmita à outra parte uma firme convicção sobre seus pontos
de vista, mas mostre-se sempre disposto a estudar uma nova e boa
idéia (I)
11.
Suas metas devem ser altas, mas realistas; procure saber
antes as metas do outro (I)
12.
Embora seu “ego” diga sim, você não é obrigado a responder
imediatamente a todas as questões. Solicite tempo para pensar (I)
13.
O conflito quase sempre é inevitável durante a negociação:
esteja preparado para ele; pense antecipadamente em como contorná-lo
(T)
14.
A ambigüidade e a incerteza fazem parte da negociação; aceite
isso; ser paciente, é meio caminho andado (P)
15.
Possuir autoridade total nem sempre é bom negócio,
especialmente quando você não se preparou para a negociação (P)
16.
Procure colocar o outro trabalhando para você. “Gostei muito
do seu produto, mas infelizmente ele custa 10 e só tenho 9” (P)
17.
Solicite vantagens extras, especialmente quando a outra parte
considerar a negociação praticamente fechada; psicologicamente é o
momento do outro ceder (T)
18.
Os fatos superam os “feelings” (sentimentos); ao
planejar sua negociação, procure levantar dados concretos,
informações sobre o que for discutido. Além de tornar a negociação
mais racional (e não emocional), os fatos permitem que a outra parte
possa entender a seguir mais facilmente seu raciocínio, sua linha de
argumentação (I)
19.
Negocie pensando no amanhã: o processo de negociação é algo
que se repete, muitas vezes com a mesma pessoa. Ao apresentar
qualquer proposta ou argumento, indague-se antes se aquela idéia
pode ser boa apenas para ajudá-lo a ganhar a negociação em curso,
mas se será também capaz de causar tal insatisfação na outra parte
que radicalizará futuros contratos (I)
20.
A 3ª Lei de Newton: não ameace para não ser ameaçado, ouça
para ser ouvido, considere as necessidades e expectativas do outro
lado, que terá a recíproca; seja flexível para obter flexibilidade.
Em negociação, mais do que nunca, a toda ação corresponde uma reação
igual em sentido contrário com a mesma (às vezes maior) intensidade
(P)
21.
Pessoas diferentes demandam negociações diferentes: antes de
iniciar qualquer negociação, procure desenhar um perfil do outro
negociador, do que ele gosta, não gosta etc.; ele aprecia detalhes
ou não? É muito orientado para resultados imediatos? Gosta de idéias
novas? Um de seus objetivos é eliminar conflitos? Desenvolva sua
argumentação em função das características de cada negociador; evite
também comportamentos que possam não agradá-lo. Se é a primeira vez
que negociam, procure conversar antes com pessoas que o conheçam,
que possam traçar o perfil dele (I)
22.
O que é lógico pode não ser psicológico: lembre-se de que sua
“lógica” pode não ser igual à “lógica” do outro. Se lhe for proposto
algo que lhe pareça absurdo, procure não agredir o outro, acentuar
eventuais diferenças. Responda: “Acho ponderável sua observação, se
me permite gostaria de adicionar algumas informações”. (Mencione
então a sua lógica, tanto quanto possível, justificada pelos fatos)
(I)
23.
Gerar confiança é fundamental: este é um dos grandes
obstáculos à negociação. Evite sempre deixar de cumprir o que
prometeu, transmita ao outro a sensação que você diz aquilo que
pensa, que não esconde o jogo ou informações relevantes, aprenda a
conviver com sentimentos, valores diferentes, não seja
demasiadamente crítico. Estes comportamentos tendem a gerar maior
confiança na outra parte (P)
24.
Desenvolva contra-argumentos previamente: este é o “calcanhar
de Aquiles” de muitos negociadores. Tudo desmorona quando a outra
parte não aceita ou rebate seu “único” argumento. Esteja preparado
para seguir vários caminhos. “Se ele não aceitar Y, vou propor X”.
“Se ele aceitar Y-A, vou propor X-B” etc. Desenvolva planejamentos
contingências/situacionais (T)
25.
Você pode “vender” o que o outro precisa “comprar” (seja um
produto, serviço ou idéia). O que o outro precisa comprar deve ser
mencionado por ele e não apenas pressuposto; isto demanda tempo,
pois implica na identificação das necessidades da outra parte.
26.
Levantamento dos motivos primordiais do interlocutor,
atividade sempre esquecida pelos negociadores. Exemplo: um excelente
aquecedor de ambiente é oferecido por um preço abaixo do mercado
(bom negócio!) não será vendido se o outro negociador morar em
Manaus ou Teresina (aquecedor é inútil nesses lugares). (I)
27.
A “pressão” e o interesse existem para os dois lados:
normalmente temos a tendência de imaginar que sofremos maior pressão
para negociar e que temos mais interesse na negociação do que a
outra parte. Esta presunção é perigosíssima, pois pode encurtar o
tempo de negociação em prejuízo da qualidade, ensejar concessões
inadequadas etc. Parta do pressuposto de que ambas as partes estão
interessadas (pois do contrário não estariam lá negociando). Se não
acredita, verifique com o outro negociador, depois de encerrada a
negociação, os interesses e necessidades de ambos, cotejando-os com
sua presunção inicial (P)
28.
Quando estiver cobrando serviços, vendendo produtos ou
idéias, evite preços/valores totais, use números parciais. Em vez de
3.000 dólares por um seminário, use 150 dólares por pessoa, para um
mínimo de 20 pessoas. Parece que é a mesma coisa, mais
psicologicamente não é: valores parciais parecerão menores à outra
parte (I)
29.
Inicie a negociação solicitando redução de preço, vantagens
extras etc. Isto deixará a oferta e limitará as expectativas da
outra parte (P)
30.
Não se intimide por uma “oferta final”: nos tempos atuais,
“tudo é negociável”, por mais adequada que lhe pareça a oferta
proposta da outra parte, acrescente: “Estou certo de que você pode
me vender mais barato, apresentar melhores condições ou desenvolver
mais seu projeto” etc. (T)
31.
Diante de uma proposta absurda, reaja com o silêncio: a outra
parte tenderá a tornar mais razoável sua oferta (T)
32.
Procure ter tempo disponível quando você negociar; isto é
especialmente importante quando o outro não tem tempo. Procure
identificar a urgência do outro ao início da negociação ( Ex.: “De
quanto tempo dispomos?”) (T)
33.
Evite negociar por telefone, a menos que esteja muito bem
preparado, pois do contrário, é perigosíssimo; você será obrigado a
tomar decisões muito rapidamente (T)
34.
Comprar agora e negociar depois é uma tática que deve ser
usada quando não se tem tempo, ou o comprador sente que o vendedor
está “apertado” financeiramente, ou quando o comprador tem muita
confiança no vendedor (T)
35.
Use o leilão japonês, isto é, coloque três vendedores e você
numa sala, debatendo o que vai ser negociado. Procure fazer com que
cada um fale sobre seu produto (e indiretamente do produto do
outro). Você obterá informações extremamente significativas (P)
36.
“O que aconteceria se”: é uma tática útil para extrair
informações de quem está vendendo ou comprando algo:
Exemplo:
O que aconteceria se:
mudássemos as especificações?
reduzíssemos o prazo?
fornecêssemos o material?
pagássemos o transporte?
lhes
déssemos exclusividade?
Esta tática permite
descobrir informações relevantes: custos do produto ou serviço,
verificar experiência ou expectativas do interlocutor, sua margem de
lucro etc. (I)
37.
Mocinho e bandido é uma tática utilizada quando do outro lado
temos duas pessoas. Uma sempre contra, irredutível, outra sempre
conciliadora, concordando conosco. O mocinho é utilizado para
granjear nossa boa vontade e cooperação; para nos predispor a
conceder (P).
38.
Quando for colocar um ponto de vista, evite começar a falar
tomando uma posição (sim, não, a favor, contra, etc.). Procure citar
fatos, seguir a seqüência de raciocínio lógico; assim o outro poderá
entender o “caminho” que você usou para chegar a determinada
conclusão. A tomada de posição deve ocorrer apenas ao final. (P)
Fonte:
Negociação, de J. A. Wanderley
(*)
Hamilton Bueno é palestrante e expert em liderança,
motivação, vendas e negociação. Seus livros já venderam mais de 45
mil exemplares e ele já treinou mais de 22.600 profissionais.
Contato com autor: 14-3842-3077 ou
hamilton@hamiltonbueno.com.br
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