SISTEMAS AVANÇADOS DE REMUNERAÇÃO AJUDAM ORGANIZAÇÕES À BUSCA DA FLEXIBILIDADE

 Hamilton Bueno (*) 

Adotar a melhor tecnologia ou manter os melhores clientes, muitas vezes, desafiam menos as organizações que adotar um sistema de remuneração adequado às expectativas dos empregados e dos dirigentes da organização. 

Os efeitos da competição tem permitido às organizações rever paradigmas de gestão que incluem a busca de custos variáveis, que acompanhem o sucesso ou a estagnação do negócio. Assim, cada vez mais se afasta de custos fixos, como é o caso de salário fixo elevado e política de mérito, que supõem desempenho sempre crescente ( o que não é verdade: o desempenho é oscilante!). 

Com relação às principais tendências rumo ao próximo milênio, podemos observar: 

Temática

Décadas 70/90

Ano 2000 e seguintes

Negócio

Specialties

Commodities

Foco

Satisfação do acionista

Parceria (acionista, empregado, cliente, fornecedor, sociedade)

Marketing

Product out

Market-in

Estrutura

Centralizada

Unidades de negócio

Gestão da unidade

Centros-de-custo

Centros-de-lucro

Áreas de suporte

Fortes e burocratizadas

Vinculadas ao negócio ou

terceirizadas

Tecnologia

Mecanização

Automação e informatização

Ênfase da administração financeira

Custo fixo

(processos estáveis)

Custo variável

(mudança contínua)

Política de RH

Estabilidade

Performance

Desenvolvimento de Talentos

Perfil Profissional

Visão micro (especialista)

Visão macro (generalista)

Sistemas de Remuneração

Remuneração pelo que se deveria fazer. Ênfase em salário fixo, benefícios e mérito integrando o salário.

Remuneração pelo que se faz.

Remuneração por agregação de valor.

 Esta visão coloca a estratégia da remuneração variável como mecanismo adaptado às organizações do futuro, através da transformação de custo fixo em variável.

A adoção de sistemas de remuneração que contemplem a remuneração variável passa, entretanto, pelo pleno funcionamento de um módulo básico: o plano de cargos e salários. Assim, é esperado da organização: 

        sistema de crenças e valores claramente definido, disseminado e assimilado,

        visão de futuro e estratégias de negócio compartilhadas e praticadas,

        política de Recursos Humanos delineada conforme cultura e objetivos organizacionais,

        sistema de remuneração que hierarquize e estruture os cargos e as carreiras de forma compreensível, simples e aceita pelo corpo de liderança e demais colaboradores.

É requisito básico para um sistema de remuneração viável o funcionamento de um programa de sustentação, que denominamos Plano de Cargos e Salários. Este plano deve conter: 

1.    Os organogramas e os funcionogramas,

2.    As descrições de cargo,

3.    As especificações de cargo (contendo pré-requisitos, responsabilidades e inconvenientes)

4.    As avaliações dos cargos, feitas através de processo participativo, com base em:  complexidade e responsabilidades,

5.    As políticas de remuneração praticadas e compreendidas por todos,

6.    A prática de  níveis salariais consonantes com o mercado de trabalho da empresa, baseado em levantamentos e pesquisas regulares.

 A remuneração variável deve privilegiar: 

·        o desempenho diferenciado,

·        o estímulo pela superação de metas,

·        a qualidade e a produtividade,

·        a satisfação do cliente (interno ou externo),

·        a efetiva recompensa e compartilhamento pelos resultados auferidos,

·        a prévia contratação de metas, recursos e critérios de recompensa,

·        a elaboração do contrato de performance e a eleição de indicadores de desempenho,

·        a parceria (objetivo comum, confiança e complementariedade). 

Os tipos mais comuns de remuneração variável podem aproveitar os benefícios da legislação específica, desde que observados seus requisitos.

As formas de remuneração variável mais praticadas referem-se aos resultados e aos processos de trabalho. Pergunta-se: o desempenho do profissional agregou valor? Se a resposta for positiva, buscar-se-á forma de recompensa. 

A complexidade da remuneração variável aumenta para os cargos de processo, onde a definição de indicadores de desempenho ganha contornos de subjetividade. 

Em consonância com a cultura organizacional deve-se avaliar se o sistema privilegia e incentiva o desempenho individual, grupal,  setorial, empresarial, todos ou a combinação deles, reforçando-se aqueles que combinem com as estratégias da organização na sua empreitada de firmar novos valores, se for o caso. São mais comumente adotadas as seguintes formas: 

Tipologia

Definição

1. Performance da Equipe

Group Incentives

Recompensa baseada em superação de metas ou melhoria de processos, destinada a times.

Profit-Sharing

 

Com base nos lucros, é definido % de participação. É recomendado conectá-lo à política salarial da empresa.

Gainshering

% do economia ou ganho é compartilhado através da comparação dos indicadores de desempenho planejado versus atingido.

Team Proposal

Programa de melhorias,  recompensando times pelas contribuições, através de salários adicionais ou participação na economia ou nos ganhos.

Long-Term payment

Normalmente destinado a executivos, através da distribuição de ações, em ciclos superiores a um ano, em função de sua contribuição para o sucesso da companhia.

Spot Awards Group Programs

Premiação pelo sucesso extraordinário na implementação de um serviço, produto, projeto, etc através de times interfuncionais.

2. Performance Individual

Participação nos resultados, Plano de Metas, Individual Incentives, Gainshering

Recompensa individual por superação de metas.

Spot Awards Individual Programs

Premiação pelo sucesso extraordinário na implementação de um serviço, produto, projeto, etc através de performance individual.

3.  Redução de gastos

 

Lump-sum payment

Mérito transformado em bônus (recompensa periódica por desempenho excepcional: é a parte julgamental da chefia, portanto admite-se existir uma relativa subjetividade)

Separate paylines

 

Programas específicos de redução de custos, com participação dos empregados nos resultados.

Na luta pela sobrevivência, perpetuidade e aumento do valor, as organizações buscarão parcerias efetivas com seus empregados, ou sucumbirão ante a uma das principais exigências dos novos tempos: a flexibilidade.

« Hamilton Bueno é expert em motivação, liderança, vendas e negociação. MBA pela USP, especializado em Psicodrama, já treinou mais de 22.600 profissionais e seus 4 livros já venderam mais de 45 mil exemplares. hamilton@hamiltonbueno.com.br - 14-3842-3077